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"O Mestre Cachaceiro" Por Hugo Studart


Cada um de nós carrega na alma um desejo imanente, uma força imaginária que não se pode ver ou tocar, contudo, é real, posto que nos impulsiona em direção à materialização dos sonhos. Esse desejo imanente pode ter origens variadas, a começar pela tradição familiar registrada em nosso DNA.


Sou cruza de pai pantaneiro com mãe cearense. Meu falecido pai, Jonas, apelido Velho Bugre, iniciou-me nos vinhos portugueses quando completei 13 anos. Minha mãe, Margarida, não gosta de álcool, contudo, transmitiu-me o legado de nossos ancestrais pelos destilados. Nasci em Natal, RN, a 08 de junho de 1961, no exato momento no qual o Sputnik lançou o primeiro homem ao espaço. Fui jornalista e professor por ganha- pão, historiador por vocação e, desde sempre, alquimista por paixão. Já na primeira infância sonhava ser alquimista. No início da adolescência, virei perfumista. Adulto, muito cedo tornei-me um apreciador dos destilados. Primeiro o conhaque; por um longo tempo, o uísque. À medida em que meu paladar e olfato foram se lapidando, tornei-me um aficionado pelas cachaças artesanais de alambique, o melhor destilado do mundo.

 

Tem pelo menos 20 anos que acalento o desejo de virar um alquimista da cachaça – especialista em transmutar a matéria bruta em ouro com sabor e odor. Quando completei 60 anos, tomei as providências para materializar esse desejo imanente herdado de meus ancestrais da Escócia. Foi um longo e tortuoso caminho até chegar a este estágio da vida. De estudos acadêmicos, cursei graduação em Jornalismo, especialização em Ciência Política, mestrado e doutorado em História Política. Trabalhei por longos 30 anos como jornalista profissional. Atuei como repórter político e econômico, editor, colunista e diretor nos principais veículos do país, como Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo; revistas Veja e IstoÉ. Como professor universitário, lecionei Jornalismo, Ciência Política e História em instituições como Universidade Católica de Brasilia, Faculdade Cásper Líbero – SP, Ibmec e Universidade de Brasília. Como ecologista, plantei cerca de 10 mil árvores nativas em quatro diferentes áreas do cerrado, como minha atual propriedade em Pirenópolis, GO, o Parque do Velho Bugre.


Foi assim que, com muitas idas e vindas, fluxos e afluxos, escolhi essa cidade histórica do interior de Goiás para materializar o sonho de infância, a alquimia, transmutando matéria bruta em cachaça de qualidade. Acredito ter sido um bom jornalista, um professor versátil, um historiador reconhecido e um plantador de árvores dedicado. Espero também conseguir ser um mestre cachaceiro criativo.

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